O lado humano por trás da interpretação de conferências

Interpretação de Conferências
Foto: Divulgação

Por trás de cada voz que atravessa um idioma para chegar a outro, existe uma pessoa, uma trajetória e uma história. Na interpretação de conferências, essa dimensão humana costuma ficar escondida atrás dos fones, microfones e cabines que fazem parte de grandes eventos.

É justamente esse lado menos conhecido da interpretação de conferências que estará no centro do debate “O Lado Humano na Cabine”, segundo encontro do Ciclo de Memórias da Interpretação de Conferências.

O encontro será realizado no dia 14 de setembro, às 19h, com participação gratuita e inscrições abertas para espectadores.

A conversa será mediada pela intérprete Regina Silveira e reunirá os profissionais Alessandra Allegri, Ayrton Farias, Mauro Lando e Ricardo Silveira, que vão revisitar experiências acumuladas ao longo de décadas de carreira.

Histórias que ficam fora do microfone

A proposta do encontro é olhar para a interpretação de conferências para além da cabine. Os convidados vão compartilhar histórias de bastidores, mudanças de carreira, personalidades que encontraram pelo caminho e situações que ajudam a revelar o que significa viver da profissão sem deixar de lado a dimensão humana de quem está trabalhando.

A escolha do tema também se conecta a uma data importante para a categoria. Em 30 de setembro, é celebrado o Dia Internacional da Tradução e da Interpretação, em homenagem a São Jerônimo, considerado o padroeiro dos tradutores.

Em 2026, a data ganha ainda outro significado: este ano marca os 80 anos dos Julgamentos de Nuremberg, processo histórico em que a interpretação simultânea foi utilizada em larga escala e ganhou um papel fundamental na comunicação entre diferentes idiomas.

O evento conta com o apoio da Associação Brasileira de Tradutores e Intérpretes (Abrates) e do Sindicato Nacional dos Tradutores (Sintra).

Quatro trajetórias, quatro maneiras de chegar à cabine

Os convidados representam diferentes gerações e caminhos profissionais dentro da interpretação de conferências.

A mediadora Regina Silveira atua na área desde 1975, depois de se formar em Interpretação pela PUC-Rio. Ao longo da carreira, participou de eventos como a Rio-92, o G20 e o BRICS, além de ter trabalhado na cobertura da Guerra do Golfo pela TV Globo, em 1991.

Regina também participou de reuniões no Itamaraty relacionadas à criação do Mercosul e coordenou equipes de até 60 intérpretes. Entre as personalidades que já interpretou estão Tina Turner, Will Smith e o diretor Baz Luhrmann.

Italiana de Gênova, Alessandra Allegri tem formação em Arqueologia e História da Arte e acumula mais de duas décadas de experiência em interpretação simultânea. Sua trajetória passa por áreas bastante distintas, do setor de petróleo e gás, em Macaé, ao ambiente jurídico da EMERJ.

Ao longo da carreira, interpretou personalidades como Antonio Negri, Domenico De Masi, Niède Guidon e o ex-jogador Marco Materazzi.

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Ayrton Farias começou na profissão em 1988, durante o 12º Congresso Internacional de Primatologia, em Brasília. Intérprete e Tradutor Público concursado pelo Estado de Pernambuco, ele construiu uma carreira que também reúne formação em Eletrônica e Telecomunicações, MBA e pós-graduação em Engenharia de Sistemas.

Inspirado pelo pai, que era poliglota, Ayrton já participou de mais de 1.500 eventos, principalmente nas áreas de Medicina, Tecnologia da Informação, Meio Ambiente e Cooperação Internacional.

A trajetória de Mauro Lando até a cabine também foge do caminho tradicional. Antes de se tornar intérprete, trabalhou como químico industrial e até como pedreiro em Israel. Em Paris, participou de seminários de semiologia do cinema com Christian Metz e passou mais de duas décadas como guia de excursões pela Europa.

Em 1998, foi aprovado no exame da União Europeia em Bruxelas para atuar como intérprete de conferência. Depois de anos trabalhando na instituição, seguiu carreira como freelancer em Genebra.

Ricardo Silveira, formado em Arquitetura pela UFRJ, migrou para a tradução e ganhou projeção como intérprete durante a Eco-92, a Rio-92.

São 36 anos de carreira, mais de 200 livros traduzidos e mais de 2 mil dias em cabine. Entre as pessoas que já interpretou estão o linguista Noam Chomsky, as lideranças indígenas Ailton Krenak e Sônia Guajajara, dirigentes da Fundação Ford e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Ciclo continua até março de 2027

O encontro de setembro faz parte de uma programação mensal que pretende recuperar histórias de uma atividade frequentemente presente nos bastidores de acontecimentos importantes, mas pouco lembrada quando esses episódios são contados.

Após “O Lado Humano na Cabine”, o ciclo segue com encontros mensais. Em 5 de outubro, o tema será “TV e outras mídias”. No dia 9 de novembro, a conversa será sobre “Formação e aprendizado”. Já em 7 de dezembro, o assunto será “Grandes Eventos”.

A programação continua em 2027 com encontros dedicados aos temas Diplomacia, Linguística e Linha do Tempo, sempre às 19h.

As inscrições para participar como espectador são gratuitas e podem ser feitas pelo formulário divulgado pela organização.

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