O Museu da Pessoa lança a coleção digital “Memórias do Futebol de Várzea”, dedicada a preservar e compartilhar histórias de quem constrói essa tradição dentro e fora dos campos. Com cocuradoria do jornalista esportivo José Trajano, a iniciativa reúne 17 histórias de vida que aproximam o público de pessoas, clubes e redes comunitárias que fazem da várzea um espaço de memória, identidade e organização coletiva. A coleção está disponível em: https://museudapessoa.org/colecao/memorias-do-futebol-de-varzea/.
Do total de histórias reunidas, seis são entrevistas inéditas realizadas especialmente para o projeto com personagens de diferentes regiões da cidade de São Paulo. As outras 11 foram curadas do acervo permanente do Museu da Pessoa.
Produzidos a partir da Tecnologia Social da Memória, metodologia de registros de história de vida, os relatos conectam experiências pessoais às trajetórias da várzea e percorrem a formação de clubes e ligas, as disputas pela preservação dos campos, o protagonismo de mulheres e da cultura negra e as transformações provocadas por novas formas de comunicação, financiamento e organização do esporte.
“Na várzea, o futebol não se resume ao que acontece dentro das quatro linhas. Ele está ligado à história dos bairros, às relações entre as pessoas e ao esforço coletivo de manter um clube e um campo vivos. As histórias reunidas mostram a profundidade desse universo e ajudam a compreender por que a várzea continua sendo uma das bases da cultura do futebol brasileiro”, afirma José Trajano, curador do projeto.
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As seis entrevistas inéditas foram escolhidas para representar a diversidade desse universo. Soraia Trindade, dirigente do tradicional Clube Aliança da Casa Verde, relata o protagonismo feminino na gestão da várzea e a luta pela preservação de um dos campos que integravam o complexo do Campo de Marte, desapropriado pela Prefeitura. Sidineia Chagas, fundadora e jogadora do Perifeminas, de Parelheiros, mostra como equipes formadas por mulheres ampliam e transformam os espaços historicamente masculinos do futebol
Uilson Oliveira de Sá, presidente do Esporte Clube Comercial de Pirituba, representa uma várzea mais tradicional: começou a jogar pelo clube aos 11 anos e permaneceu em campo até os 40. José Roberto Andrade, fundador e presidente do Negritude F.C., de Artur Alvim, conecta futebol, cultura negra, bailes black e identidade comunitária. Guilherme Estevão, narrador, comentarista e repórter esportivo há mais de 15 anos, acompanha a incorporação de contratos, ligas e tecnologias da informação. Já Makson Rangel de Jesus, que disputou a Copa São Paulo em 2007, transformou a várzea em sua principal fonte de renda e hoje atua por diferentes clubes, agenciado pela esposa.
Confira as histórias do projeto.
Na cidade de São Paulo, o nome “várzea” remete aos primeiros campos instalados nas áreas planas próximas aos rios e córregos. No início do século XX, times, ligas e campeonatos se multiplicaram a partir de agremiações de bairro, fábricas, sindicatos e clubes sociais. Alguns se profissionalizaram e ganharam projeção nacional; outros permaneceram no circuito amador ou semiprofissional, por condição ou escolha, preservando uma dinâmica própria e profundamente conectada aos territórios onde surgiram.
Essa ligação se expressa no trabalho cotidiano de famílias, moradores, dirigentes, jogadores, comerciantes e torcedores. São pessoas que doam recursos, produzem uniformes e bandeiras, cuidam dos campos, organizam campeonatos e garantem equipamentos e estrutura para os jogos. Em torno de cada clube, constroem-se relações de pertencimento capazes de transformar a defesa de uma camisa na defesa da identidade e do orgulho de uma rua, de um bairro e de uma coletividade.
“O Museu da Pessoa parte da ideia de que toda história de vida tem valor e de que essas histórias também são patrimônio. Ao registrar as trajetórias de quem constrói o futebol de várzea, o projeto preserva memórias que ajudam a compreender não apenas o esporte, mas as comunidades, os territórios e as formas de organização coletiva que existem ao redor dele”, afirma Lucas Torigoe, coordenador de Pesquisa do Museu da Pessoa.
A coleção “Memórias do Futebol de Várzea” é uma realização do Museu da Pessoa, com financiamento por meio de emenda parlamentar e apoio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.
Sobre o Museu da Pessoa
O Museu da Pessoa é o maior acervo de histórias de vida do Brasil. Como um museu virtual e colaborativo fundado em 1991, tem como objetivo registrar, preservar e transformar histórias de vida em fonte de conhecimento, compreensão e conexão. A proposta é democratizar o acesso à memória social, valorizando as experiências de vida de qualquer pessoa como parte fundamental da construção da história coletiva. O acervo reúne mais de 18 mil depoimentos em vídeo, áudio e texto, além de cerca de 60 mil imagens e documentos digitalizados. Saiba mais no link.
*o texto acima foi gentilmente cedido pela assessoria de imprensa do projeto.



