A cultura sul-coreana encontrou no Brasil um público cada vez mais interessado em descobrir o que existe além das telas. K-dramas, K-pop, gastronomia, beleza, moda, viagens e até o aprendizado da língua passaram a fazer parte de uma mesma experiência cultural, impulsionada pela chamada Hallyu, a Onda Coreana.
É nesse universo que atua Day Broniczak, conhecida nas redes sociais como Sohui. Criadora de conteúdo, empresária, apresentadora e ex-modelo internacional, ela construiu uma comunidade com mais de um milhão de seguidores ao compartilhar conteúdos sobre cultura coreana, entretenimento, viagens, moda, gastronomia e lifestyle asiático.
Para Day Broniczak, uma das principais forças da Hallyu está justamente na capacidade de despertar curiosidade. Uma pessoa pode começar por uma música ou série e, aos poucos, descobrir outros aspectos da cultura.
“Muitas pessoas chegam à cultura coreana através de uma música ou de uma série e, quando percebem, já estão interessadas na gastronomia, na moda, na beleza, na língua e até em conhecer o país.”
Segundo ela, a expansão desse movimento também foi favorecida pela facilidade de acesso proporcionada pela internet e pelas plataformas de streaming. Produções realizadas do outro lado do mundo passaram a fazer parte da rotina de espectadores brasileiros, criando uma conexão que vai além do entretenimento.
“Você pode entrar nesse universo através de uma música, de uma série, de um prato, de um produto de beleza ou de uma viagem. E, quando percebe, já está descobrindo muito mais sobre uma cultura diferente da sua”, explica Day Broniczak.
Hallyu vai muito além do que aparece nos K-dramas
Embora as séries sejam uma das principais portas de entrada para a cultura sul-coreana, Day Broniczak destaca que existe uma diferença importante entre a Coreia apresentada pelas produções audiovisuais e a experiência de conhecer o país pessoalmente.
Para ela, é natural que os K-dramas construam uma imagem estética própria, mas essa representação não deve ser confundida com a totalidade da realidade sul-coreana.
“A Coreia que vemos nos K-dramas é apenas uma parte da realidade. Assim como qualquer produção audiovisual, existe uma construção estética e narrativa. A Coreia real é muito mais complexa, diversa e cheia de contrastes.”
Essa percepção também aparece quando o assunto é turismo. Para quem pretende conhecer o país, Day Broniczak recomenda viajar com a mente aberta e pesquisar previamente costumes e etiqueta.
A Coreia do Sul reúne tecnologia, bairros contemporâneos, palácios históricos, mercados tradicionais e uma gastronomia diversa. Para ela, compreender esse contexto antes da viagem torna a experiência ainda mais rica.
Como os K-dramas influenciam a moda brasileira
Entre os reflexos mais visíveis da Hallyu está a moda. Os figurinos de personagens de K-dramas se transformaram em referências para espectadores de diferentes países, inclusive no Brasil.
Day Broniczak acredita que o figurino tem um papel importante nesse processo porque ajuda a construir a identidade dos personagens e, consequentemente, acaba influenciando quem acompanha as histórias.
“Muitas vezes, alguém assiste a uma personagem e se identifica não apenas com a história dela, mas também com a maneira como ela se veste.”
Para ela, um dos diferenciais da moda coreana está na capacidade de unir sofisticação e discrição. Alfaiataria, sobreposições, volumes, diferentes proporções, cores e acessórios aparecem como elementos que podem ser incorporados ao cotidiano.
Mais do que reproduzir os looks vistos nas produções, porém, o público brasileiro adapta essas referências à própria realidade.
“A moda coreana consegue ser feminina, moderna e sofisticada sem depender necessariamente de uma estética óbvia”, afirma.
Essa combinação também conversa diretamente com o estilo pessoal de Day, que costuma unir referências coreanas a uma estética clássica e contemporânea.
Ela conta que suas inspirações não vêm necessariamente de uma única personagem ou artista, mas de um conjunto de imagens e estilos. A alfaiataria e o equilíbrio entre elementos clássicos e atuais estão entre suas principais referências.
Para Day, essa relação com a moda também passa pela maneira de expressar feminilidade.
“Você pode ser sensual e, ao mesmo tempo, elegante, sofisticada e fiel ao seu próprio estilo.”
Da tela para a experiência de conhecer a Coreia
A influência da cultura pop também ajuda a despertar o interesse turístico pela Coreia do Sul. Para quem conhece o país primeiro através das séries e da música, a viagem pode representar uma oportunidade de confrontar a imagem construída pelas telas com a realidade.
Day conta que uma das coisas que mais a surpreendeu foi justamente perceber a quantidade de contrastes presentes no cotidiano sul-coreano.
“Muitas pessoas imaginam a Coreia apenas a partir daquela estética extremamente moderna que aparece na cultura pop, mas o país tem uma relação muito forte com a história e as tradições.”
Essa experiência, segundo ela, muda a perspectiva de quem viaja.
Por isso, conhecer a Coreia vai além de visitar cenários famosos dos K-dramas. Envolve compreender hábitos, costumes, tradições e diferenças culturais que nem sempre aparecem nas produções de entretenimento.
Quando paixão vira comunidade e negócio
A trajetória de Day também ajuda a entender como a Hallyu criou novas oportunidades profissionais para criadores de conteúdo especializados em cultura asiática.
Antes de construir sua comunidade nas redes sociais, ela teve uma carreira internacional como modelo, com experiências em mercados como São Paulo e Los Angeles. A passagem pela moda contribuiu para desenvolver conhecimentos que hoje fazem parte de seu trabalho como comunicadora e empresária.
“A moda me ensinou muito sobre disciplina, adaptação e posicionamento”, conta.
Esses aprendizados foram incorporados à produção de conteúdo. Para Day, o trabalho nas redes sociais envolve muito mais do que ter uma boa ideia e publicá-la.
“Existe estratégia, consistência, planejamento e, principalmente, uma identidade muito clara.”
A transformação da paixão em negócio, no entanto, aconteceu de maneira gradual. Inicialmente, Day compartilhava assuntos que já faziam parte de sua própria vida e despertavam sua curiosidade. Com o tempo, percebeu que havia uma comunidade interessada não apenas no conteúdo, mas também em sua visão e em suas recomendações.
Quando o público passa a confiar nesse olhar, surge a possibilidade de transformar a produção de conteúdo em uma atividade profissional mais ampla.
Para ela, o principal desafio é crescer sem perder a autenticidade que criou essa conexão.
“A paixão precisa continuar existindo. Para mim, o desafio sempre foi encontrar uma forma de transformar esse trabalho em negócio sem perder a autenticidade que criou a conexão com as pessoas.”
Uma ponte entre duas culturas
Mais do que acompanhar tendências, Day vê seu trabalho como uma forma de aproximar realidades diferentes. A cultura coreana, em sua visão, funciona como um grande ponto de conexão entre diferentes áreas.
Uma pessoa pode chegar por um K-drama e descobrir a gastronomia. Outra pode conhecer a Coreia através da beleza e posteriormente se interessar pela música, pela moda ou pelo turismo.
Essa capacidade de criar diferentes portas de entrada é, para ela, uma das grandes forças da Hallyu.
“Uma pessoa pode chegar por um K-drama e depois se interessar pela comida. Outra pode começar pelos produtos de beleza e descobrir a música. Tudo está conectado de alguma forma.”
É justamente nessa conexão que Day encontrou espaço para construir sua própria trajetória. Entre moda, entretenimento, viagens, cultura e empreendedorismo, seu trabalho acompanha um movimento que deixou de ser apenas uma tendência de consumo e passou a fazer parte do repertório cultural de públicos espalhados pelo mundo.
Para quem ainda não teve contato com a Hallyu, ela deixa um convite à descoberta.
“Eu diria para essa pessoa esquecer qualquer ideia de que a Hallyu é apenas uma tendência. O que conquistou o mundo foi a capacidade da cultura coreana de contar histórias, criar experiências e despertar curiosidade.”
E talvez esteja justamente aí uma das explicações para a força da Onda Coreana: ela não termina quando os créditos de um K-drama sobem. Para muita gente, é justamente nesse momento que começa a vontade de conhecer tudo o que existe depois deles.



